sábado, 1 de junho de 2013

Pequeno Resumo do Livro " O Brasil - Território e Sociedade no início do século XXI" - Milton Santos


Neste importante livro dos influentes autores Milton Santos e Maria Laura Silveira, várias questões fundamentais para a compreensão da categoria território dentro da geografia são abordadas, aprofundando depois a análise para abarcá-lo no contexto das discussões sociais nesta virada para o terceiro milênio.
Diversos pontos clássicos do pensamento de Milton Santos são debatidos, tais como os conceitos de fluidez/viscosidade, espaços luminosos/opacos, espaços de rapidez/lentidão e espaços de mandar/obedecer. Categorias de análise teórica também são trazidos, tais como o conceito de meio técnico-científico-informacional, o desenvolvimento por pontos e/ou manchas e a delimitação da Região Concentrada no Brasil, entre o Sul-Sudeste e centralizada na megalópole Rio-São Paulo-Campinas.
Crítico e profundo como, ademais, todas as obras anteriores desses pensadores, a obra usa como lastro a ideia de vazio de consumo capitalista para entender a sociedade atual, onde os desejos infinitos sustentam o consumo enlouquecido de bens materiais, lembrando o célebre conceito-chave do marxismo do fetiche da mercadoria.
Por fim, mas não menos importante, os autores ficam pé diante da globalização existente, percebendo que nela os atores desse enredo atribuído ao "mundo" são, na realidade, as grandes corporações, que dispõem de força suficiente para induzir os Estados a adotar comportamentos que respondam aos seus interesses privados. A globalização se configura, portanto, como um processo primariamente ideológico, e não como uma quimera de trocas comerciais equânimes entre territórios iguais como querem alguns.


quinta-feira, 30 de maio de 2013

Pequeno Resumo do Livro "Sobre a Brevidade da Vida" - Sêneca


Sobre a brevidade da vida é a obra mais difundida e um dos tratados mais significativos do grande filósofo, dramaturgo, político e escritor do início da Era Cristã, Sêneca (4aC - 65dC), além de ser um dos textos mais conhecidos de toda a Antigüidade latina . Um homem cuja morte exemplificou o desprendimento e a paz de espírito que ele tanto pregava, ao constatar que "cada um se lança à vida, sofrendo da ânsia do futuro e do tédio do presente".
Arguto observador da cena política, já àquela época ele indagava: "Quantos prefeririam ver em desordem a República e não a sua cabeleira?" Daí sua constatação fundamental sobre a política, e que vale até hoje igualmente, de que "um povo com fome não é racional, portanto, nem a eqüidade saberia acalmá-lo, nem as orações dobrá-lo".
São desenvolvidos temas como aprendizagem, amizade, livros e a morte, e, no correr das páginas, vão sendo apresentadas maneiras de prolongar a vida e livrá-la de mil futilidades que a perturbam sem, no entanto, enriquecê-la. 
Sua visão da proporcionalidade e da diferença entre todas as coisas pode ser resumida em uma bela frase de sua autoria: "Lentos jumentos são mais capazes para o trabalho que nobres cavalos, e quem já oprimiu a generosa agilidade deles com uma pesada bagagem?"


quarta-feira, 29 de maio de 2013

Resumo - Sinopse do Filme "Exterminador do Futuro 4"


Exterminador do Futuro: A Salvação traz a 4ª seqüência da série iniciada na década de 1980, cuja temática apocalíptica e ação impactante conquistou adeptos não só entre os aficionados pelos filmes de ficção científica, mas entre os que gostam de bom cinema em geral. Afinal, pelo menos até o 2º filme da série (Exterminador do Futuro 2: O Julgamento Final), os mirabolantes efeitos especiais estavam acompanhados por roteiros decentes, e, mais importante, tínhamos a direção interessante de Joel Schumacher, cujo maior crédito, talvez, esteja no ótimo Um dia de fúria. 
Nesta continuação, porém, ficamos reféns do entretenimento vazio, das explosões e monstros tão em voga nesses tempos em que, por exemplo, os filmes da série Transformers fazem tanto sucesso nas bilheterias. Também não é por acaso a escolha pela beleza física dos atores, o que nos leva a pensar como é que as pessoas são tão bonitas em um cenário pós guerra nuclear, onde, supostamente, a escassez é a regra. Ah, os cartazes não ficariam bonitos!
Para aliviar o desastre total que foi a 3ª seqüência (Exterminador do Futuro 3: A Rebelião das Máquinas), os produtores apelaram para um tática conhecida: contrataram um ator em evidência para o papel principal, Christian Bale, que atualmente interpreta o Batman nos filmes da série. Pena, pois o talento de Bale, que pode ser visto em filmes como Psicopata Americano e O Operário, fica totalmente comprometido na série de chavões que cabe à sua personagem, como no caso de ele ser o profeta incompreendido que luta, com muitas dificuldades é claro, para mostrar aos seus superiores a razão por trás de toda a trama. É a triste, e velha, história: “Alguém tem que pagar o aluguel”, e, lamentavelmente, filmes independentes e transgressores, como os citados acima, em geral não cobrem sequer suas despesas. Os grandes estúdios, inclusive, fazem questão de manter seus “braços independentes”, no intuito de buscar novos talentos e obter o desejado reconhecimento da crítica, mas certamente não esperam deles que sejam lucrativos como seus braços mercadológicos.

Como o desastre do filme anterior foi muito retumbante, dificilmente este conseguiria afundar ainda mais a franquia, e foi pensando assim que surgiu mais um forçado roteiro para tentar alongar um pouco adiante a história que, a rigor, poderia ter terminado com sucesso ao final do segundo filme. Não por acaso, o diretor faz uma série de referências aos dois primeiros filmes, seja em cenas ou em falas que ficaram famosas, mas, não por acaso, não aparece qualquer citação ao 3º filme. Sem contar que algumas partes foram alteradas, como a data do julgamento final - prevista no primeiro filme para o ano de 1997, e ”atualizada” para “um ano no início do século XXI” – com o intuito claro de tornar mais apresentável a história vendida.
Infelizmente, trata-se quase que somente disso: comércio, e, ao que parece, o filme atingiu seu objetivo, uma vez que a bilheteria e o ganho de imagem parecem estar indo bem. Entretanto, e para finalizar, a boa idéia original de que as máquinas, eventualmente, se tornarão conscientes e buscarão sua auto-suficiência foi relegada miseravelmente para o último plano. Outros filmes fizeram sucesso com essa temática (2001: Uma Odisséia no Espaço, Matrix, dentre tantos outros), mas esse Exterminador do Futuro 4: A Salvação é apenas mais um produto na prateleira do consumo do entretenimento cinematográfico.

Resumo do Livro "O que é Poder" - Gérard Lebrun


Este pequeno livro trata das questões sobre o poder, em particular o poder social. Para tanto, a autor define comunidade como sendo uma "congregação de homens (societas) a quem seus próprios afazeres ocupam demais para que possam dedicar-se aos interesses do todos, e que, por isso, devem ser protegidos pela instância política, em vez de participarem dela".
Assim, o ideal de democracia plena se encontra substituído pelo da democracia representativa, mas isto traz como efeito colateral o distanciamento ante as questões sociais e, em último caso, leva ao completo individualismo. Também se deve notar que há um importante paradigma na democracia quando se percebe que o "último chefe" é sempre humano e, portanto, sujeito às mesmas vicissitudes e falhas daqueles que o elegeram.
Daí Habermas colocar qual é a função do Estado, já que este deve "garantir ao mesmo tempo a lealdade das massas no quadro da democracia formal". Trata-se de evitar rupturas na ordem, sendo o Estado o guardião do status quo e mantenedor do consenso social. 
Por tudo isso, o poder, enquanto forma de organização social e, principalmente, estatal, tende à concentração e à manutenção da ordem, sendo, portanto, conservador em sua raiz, fazendo lembrar inúmeros casos de opositores ferrenhos ao mais variados regimes ao longo da História que, uma vez titulares do poder governamental, passaram a praticar políticas conservadoras.


Resumo do Livro "Discursos geopolíticos da mídia: jornalismo e imaginário internacional" - Margarethe Born Steinberger

Escrito por Margarethe Born Steinberger, professora de Comunicação e Linguística da PUC-SP e editado pela Cortez o livro “Discursos geopolíticos da mídia” foi elaborado buscando entender a imprensa que temos, a partir do nosso lugar no mundo e, fundamentalmente, aquilo que jaz subjacente à cobertura da grande mídia.Steinberger é mestre em Letras pela PUC-RJ, e doutora em Comunicação e Semiótica pela PUC-SP. 
A autora se vale de sua ampla experiência em vários veículos de comunicação, entre eles a Folha da Tarde e a Folha de São Paulo, sendo que por esta última ela cobriu os importantes desdobramentos da reunificação alemã após a queda do Muro de Berlim. A obra encontra-se estruturada em oito capítulos que partem de uma perspectiva teórica da história cultural e da análise do discurso, adentram os cenários geopolíticos estruturados pela/para mídia, em particular sua articulação com o imaginário social, até desaguar no imaginário jornalístico propriamente dito, circunscrevendo a análise à América Latina.
A questão subjacente ao trabalho encontra-se na determinação existente ou criada na legitimação dos discursos geopolíticos da mídia na AL, face ao excessivo poder concentrador dos meios de comunicação de massa na região e sua capacidade de, se não forjar políticas, ao menos ratificá-las ou contestá-las com boa dose de impacto. Assim, no primeiro e segundo capítulos a autora traz a questão histórica que permeia as apresentações geopolíticas, caracterizando-as como “historicizável” conforme a época, aos aspectos científico-tecnológicos ou a atividade social de que se trate. Trata-se, sobretudo, de entender o discurso geopolítico como uma dimensão daquilo que é controlável pelos detentores do poder.Mais uma vez, a autora busca salientar o uso epistemológico dos temas em questão, ressaltando suas concepções variadas e notando que nem sempre essa complexidade é levada em consideração na montagem do discurso. O terceiro capítulo sobrepõe a geopolítica à cultura pós-moderna, cuja síntese vem na emergência de uma geopolítica da cultura. Tal concepção se pauta pela crítica, calcada em aspectos humanos e interessada na constituição de uma geopolítica da mídia que, se ainda ensaia seus primeiros passos, não deve ficar alheia ao seu contexto social.Vem à tona a ideia de insulamento das elites, que se fazem representar ou que propriamente são os donos da mídia, na eleição das pautas jornalísticas, citando, por exemplo, o trabalho de José Arbex Jr, “Showrnalismo”, que mostra a inversão do discurso, ou da lide no jargão do jornalismo.
O quarto capítulo é dedicado à análise do imaginário social como ferramenta para se compreender a geopolítica da mídia. Surge, apropriadamente, o conceito de práxis antagonizando o imaginário/simbólico e o fazer humano histórico, cujo pano de fundo se encontra na consolidação das instituições que vêm formar a opinião pública internacional.A América Latina passa atualmente por longo período democrático, mas apesar de viver um período de relativa paz institucional, avessa às ditaduras de segurança nacional ou similares que assolaram a vida social e política no século passado, a autora nota que este espaço deve ser conquistado diuturnamente, haja vista os acontecimentos recentes na Venezuela e na Colômbia. O quinto capítulo discorre sobre a mídia no espaço público internacional, analisando o funcionamento dos seus discursos e a oposição de parte dos excluídos desse espaço, que se dá também pela limitada regulação que se verifica no acesso a esses espaços. É o próprio conceito de soft power, que ordena agendas de limitada relevância e impacto, apesar de terem surgido para a cena, inclusive na mídia.Em que pese o ganho de importância que os temas geopolíticos agrupados no amplo espectro do soft power tiveram nos anos recentes, percebe-se, ainda, uma forte carga ideológica a pautar o discurso, como no caso citado da atuação estadunidense nas tratativas para a consolidação de um regime de desenvolvimento que envolva uma matriz energética menos dependente do carvão e do petróleo. Já o sexto capítulo adentra o imaginário jornalístico propriamente dito, mostrando a geopolítica como um mapeamento discursivo largamente encenado, onde o que passa a pesar é o valor da informação, convertida de valor de uso para valor de troca pela mediação imersa no capitalismo informacional.Essa transição entre valor de uso e valor de troca ganha contornos dramáticos com a revolução das comunicações, uma vez que, atualmente, o acesso à informação instantânea que vivenciamos ainda costuma se dar de forma direcionada, com alguns grandes grupos controlando quase todos os formadores de opinião, fazendo com que se pense na Era da Desinformação.No sétimo capítulo a autora circunscreve a análise da mídia na América Latina, tornando o texto mais fluido e menos teórico pela inserção de experiências que contrapõem uma negociação, barganha mesmo, da(s) autonomia(s) regional(is) no espaço midiatizado internacional. Fica a impressão de homogeneidade lógica nos discursos identitários, diante de um princípio de participação da sociedade civil no processo.No oitavo e último capítulo a autora fecha sua análise tratando do impacto da nova ordem geopolítica sobre a América Latina, enxergando uma cisão entre os discursos antigos, não renovados, e as práticas atuais, em particular no ressurgimento de discursos de (re)significação dos espaços a partir de uma lógica neocolonialista.

O livro tem muito mérito em tratar com profundidade teórica e prática tema tão espinhoso, seja pelos interesses que envolve, seja pela dificuldade de se defender posição antagônica ao discurso hegemônico em voga. Apesar de seu caráter denso, fruto que é de um rigoroso trabalho acadêmico, o livro consegue emergir à tona com um discurso bem concatenado, bem à maneira mostrada, e criticada quando ausente, durante tantos outros discursos apresentados.


Resumo de "Categoria de Análise na Geografia"

Talvez a mais complexa e contraditória forma de análise resida no estudo da categoria. Vários autores expressaram suas idéias sobre o tema. Aristóteles, por exemplo, entendia a categoria como as diferentes maneiras de se afirmar algo de um sujeito. Dentre as categorias da dialética cabe ressaltar as seguintes: matéria e consciência, qualidade e quantidade, entre outras. Milton Santos acrescenta as categorias estrutura, processo, função e forma, voltadas para a metodologia geográfica.
Dentro da intenção de identificar os conselhos de SPOSITO para esta análise, podemos notar o que esses conselhos podem contribuir para o referencial teórico de uma discussão acerca do pensamento geográfico, a partir da dimensão do método científico e partindo da premissa de sua análise ao longo da história.
A leitura do Pensamento Geográfico deve ser feita mediante uma reflexão baseada no radical (a busca do problema), na crítica (o objeto em crise) e no total (contextualização do objeto).

Assim, aconselha-se evitar algumas atitudes na contextualização do objeto de estudo:
1- Evitar a mera paráfrase: evitar colocar trechos de autores sem comentá-los, além de reescrevê-los com outras palavras.
2- Não se ater na admiração declamatória: não admirar demasiadamente um autor ao ponto de reconhecer que a sua obra é única e expressa um pensamento indiscutível.
3- Não expor um curso completo sobre o autor: não expor de maneira desnecessária a vida do autor nem mesmo quando o texto tem relação com o trabalho dele.



Resumo do Livro "Bem Está o Que Bem Acaba" - Shakespeare


Nesta deliciosa comédia o genial Shakespeare cria uma divertida peça-problema que tem um destaque muito importante: a presença de uma mulher no papel principal, algo pioneiro na literatura.
Bem Está o Que Bem Acaba é uma peça inspirada por uma história do Decamerão, de Giovanni Boccaccio, e tem como figura central uma beldade plebeia, Helena, apaixonada pelo nobre Bertram, criando o clássico embate para um amor impossível. Ao salvar a vida do rei graças (usando uma poção que lhe fora deixada pelo falecido pai), Helena conquista o direito de escolher um marido entre os homens solteiros da corte . Bertram, o escolhido, rejeita a idéia, mas, por se tratar de uma ordem real, aceita se casar, mas foge imediatamente para a guerra. Com isso, a desdenhada noiva lança mão de toda a sua perspicácia para conquistar o marido. 
Em um livro cheio de reviravoltas e situações inusitadas, vale destacar algumas frases significativas do Bardo em relação a alguns assuntos relevantes, dentre elas:
- Sobre o luto: "Lamentos moderados são um direito dos mortos, o luto em excesso é um inimigo dos vivos";
- Sobre o verdadeiro poder: "Que tú tenhas forças suficientes para enfrentar teus inimigos, mas que não precises usá-las de fato".
- Sobre o uso inteligente da palavra: "Que te reprovem pelo teu silêncio, mas que jamais te censurem por falar demais".
- Do falso amor: "E eu comecei a amar como um velho que ama o dinheiro, sem nenhum apetite."


Pequeno Resumo do Livro "Ideologias Geográficas – Espaço, Cultura e Política no Brasil" - Antônio Carlos Robert Moraes


A ideia principal do livro é retratar a influência da ideologia na Geografia, desde suas lógicas formativas mundiais até aquelas específicas do Brasil, dando especial atenção às interseções entre os campos da política e da cultura. Dessa forma, após uma exposição sobre diversas correntes filosóficas, incluindo, dentre outros, Marx, Weber e Lukács, temos a posição do autor diante do campo ideológico que mais fortemente impactou a geografia, a começar da sua afirmação da nossa posição periférica ante o imperialismo capitalista central. Essa realidade ressaltava, outrora, o escravismo como fonte de hegemonização e hoje se mistura com as “culturas ornamentais” para, em conjunto mais amplo, legitimar a Geografia do Estado, antidemocrática e avessa a novas ideias. Os muitos anos de autoritarismo e de regime militar na histórica recente do nosso país servem de parâmetro. Por fim, cabe destacar a importância dessa discussão na produção do espaço geográfico que, pelo que foi exposto, acaba por criar, entre tantos, os espaços alheios à sua própria existência (esquizofrenia do espaço), os espaços de mandar/fazer, os luminosos/opacos. É por isso que o autor denuncia o que ele entende ser a passividade dos intelectuais no Brasil que, às vezes sem sequer perceber, acabam legitimando a ideologia repressora e, também, estrangeira, sem identidade nacional própria.


Resumo do Conceito de Turista pela OMT - Organização Mundial do Turismo

A OMT assinala que turista é toda pessoa, sem distinção de raça, sexo, língua e religião, que ingresse no território de uma localidade diversa daquela em que tem residência habitual e nela permaneça pelo prazo mínimo de 24 horas e máximo de seis meses, no transcorrer de um período de 12 meses, com finalidade de turismo, recreio, esporte, saúde, motivos familiares, estudos, peregrinações religiosas ou negócios, mas sem o propósito de imigração.
Este conceito é o ponto de partida para duas análises, a primeira do conceito em si e segunda do papel do turista na sociedade visitada (direitos e deveres).
Entretanto, há mais uma consideração a fazer: como classificar aqueles que permanecem menos de 24 horas em um determinado destino turístico? A OMT os chama excursionistas. Uma pergunta não pode deixar de ser feita: que diferença há entre chamar de excursionista o visitante com menos de 24 horas de permanência em um destino ou de turista? Na prática. nenhuma. 
Esta diferenciação somente aumenta a dificuldade na contagem da demanda, burocratizando o processo estatístico. Fica claro, isso sim, que o excursionista é apenas mais uma distinção dentro da demanda turística. Demanda esta que precisa ser tratada com suas especificidades, mas que, com certeza, não precisa ser rotulada burocraticamente.
Assim, cabe uma análise da posição social do turista, seus direitos e deveres no destino turístico.




Resumo do Conceito de "Centralização Político-Administrativa e sua relação com a Democracia"

Há uma correspondência que permite que haja centralização político-administrativa e democracia, pois este é o próprio cenário para o surgimento das modernas Repúblicas, que aparecem, em grande medida, em substituição aos regimes monárquicos. A centralização político-administrativa foi peça-chave na consolidação dos Estados a partir da Idade Média, sendo Portugal o Estado pioneiro e que conseguiu, por essa razão primeira, saltar à frente nas grandes navegações e descobertas. Essa centralização estava lastreada na figura do monarca, que conferia coesão aos grupos dirigentes, burocráticos e empresariais.

Com o advento das modernas Repúblicas, ainda que valha lembrar que a História já havia presenciado o modelo republicano em outras ocasiões, como na Roma Antiga, a soberania popular, e com ela a democracia, passam a ser valores principais da constituição da sociedade.

A República Federativa do Brasil adota um modelo misto entre a centralização do estado, que levada ao extremo resultaria em uma ditadura personalista, e a descentralização, que, também no seu pólo extremo, resultaria de uma confederação de Estados iguais, à moda dos Confederados dos primórdios da Revolução Americana, mas que hoje está desuso nas relações internacionais.



Os Estados no Brasil gozam de ampla autonomia para cuidar dos seus interesses, o que dá força ao poder local, inclusive nos municípios, mas a soberania nacional cabe tão somente à União, legítima representante nacional nos fóruns internacionais. Teoricamente, e em que pese os conflitos que se presencia por vezes, o princípio federativo que rege o nosso país estabelece igualdade de condições e de tratamento entre todos os estados e entre estes e a União.


Resumo - Sinopse do Filme "Um Sonho Possível" - The Blind Side com a Sandra Bullock


"Um sonho possível" traz a história real do atleta de futebol americano Michael Oher (Tim McGraw), cuja vida pobre e sem perspectiva muda completamente ao cruzar com a socialite Leigh Ann Tuohy (Sandra Bullock, no papel que lhe rendeu o Oscar).De cara, já podemos sentir o clima de superação no ar, misturado a uma história bela e (in) verossímil e Bum!!! temos uma fórmula bem ao gosto da Academia de Artes Cinematográficas, que aponta os ganhadores anuais dos prêmios Oscar. Dessa forma, com essa "mágica combinação" por trás, não fica feio dar um prêmio de melhor atriz para Bullock, atriz apenas mediana. Na verdade, soa até justo, já que, convenhamos, a atriz nasceu para o papel. Ocasiões semelhantes já permitiram a entrega de outros prêmios na mesma toada, como, por exemplo, Julia Roberts em Erin Brockovich, ou Gwyneth Paltrow em Shakespeare Apaixonado. Temos, então, uma socialite nova rica, cujo marido é dono de 85 franquias de restaurantes fast-food, e que passa o tempo trabalhando como decoradora e almoçando saladas caras em uma roda de amigas.Contudo, o impacto da trama fica com Oher, ou Big Mike, negro, de mãe viciada e criado descuidadamente por diversos pais adotivos, até o dia em que, a caminho do ginásio da escola Big se depara com Leigh Ann (Bullock). Ao perceber a sua desolação, indo dormir no frio e com fome, Ann se oferece para levá-lo para sua casa. Daí, o que deveria ser uma situação de generosidade temporária acaba se perpetuando, e Big acaba por se incorporar à família.

O que o filme não explica, propositalmente, é o fato nada desprezível de Big frequentar a mesma escola dos dois filhos de Bullock. Nada a ver com a generosidade das escolas privadas, ou com um bom sistema de ensino público. Big, como tantos outros jovens carentes, tem uma desenvoltura muito grande nos esportes, e seu porte atlético faz dele especialmente interessante para o futebol americano.Nos EUA, a aptidão para o esporte é uma saída comum para jovens com poucos recursos, tal como aqui acontece, em geral, com o futebol. Esse sistema estadunidense de incentivo ao esporte tomou as proporções gigantescas de hoje graças a uma conjuntura altamente favorável, onde as grandes empresas se casam com os interesses políticos. Interessa a ambos manter uma das maiores máquinas olímpico-esportivas a pleno vapor, seja para atrair anunciantes, seja para entreter milhões de pessoas.Enfim, Big se encaixa dentre as exceções que conseguiram estudar. Para além de estudar, ele encontrou uma família compreensiva e afetuosa que o ajudou a se tornar uma atleta profissional de alto nível. Em poucas palavras, assistimos a uma exceção dentre as exceções.

Resumen del Livro "Por Una Geografía Nueva" - Milton Santos


"Por una geografía nueva" está dedicada a una revisión crítica de la evolución de la geografía en la búsqueda de abrir las puertas a muchas discusiones por venir, ya que la totalidad del espacio, forma, función, estructura y proceso, entre otros.De este modo, el libro se divide en tres partes principales: a) La crítica de la geografía, b) Geografía, Sociedad, Espacio y c) Una geografía crítica.La primera parte, que el autor quiere un tour de force por las diferentes corrientes de pensamiento geográfico, sobre la base de los fundadores clásicos y sus pretensiones científicas, a través de la "nueva geografía", hasta que la crisis que ha hecho de la geografía de la "Viuda del espacio." A partir de la geografía colonial, el autor, citando a Freeman recuerda que considera que "incluso hay una relación entre la expansión geográfica y la colonización", e incluso Vidal de la Blache a veces "parecía apreciar el trabajo de la colonización" .Hablando de los clásicos de la geografía, el autor muestra la búsqueda incesante de la geografía para el estado de la ciencia y en última instancia, tomar ventaja de la analogía con el exceso de las ciencias naturales, se ha legitimado. Este es un grave error, continúa el autor, porque, a diferencia de las ciencias naturales en los que la posibilidad de repetir una experiencia es la condición sine qua non para la validez del método científico, los fenómenos históricos "nunca se repiten de la misma manera." Por otra parte, el carácter "exacto" ciencia de la naturaleza es débil cuando se observa, por ejemplo, cómo nuestra comprensión de la realidad se altera para "el nivel de progreso científico logrado".Los cambios que la ciencia ha pasado después de la 2 ª Guerra Mundial, y desde luego toda la sociedad, surgió en torno a enormes desafíos que lo que más tarde se llamó "nueva geografía", está dando lugar a nuevas formas de investigación, los nuevos objetos, o necesidades que surgieron. Por todas estas críticas antes, el autor termina por completar el "triunfo del formalismo," sin duda ideológica, dejando la Geografía ", la viuda del espacio", sólo para revelar las grietas en esta estructura de la crisis a través del cual pasa todo el método cuantitativo.Ahora, en la segunda parte del libro, el autor postula un nuevo interdisciplinario-que muchos hoy en día llamaríamos la transdisciplinariedad - en la búsqueda de romper el aislamiento de la geografía en otros campos del conocimiento mediante el lanzamiento de la siguiente propuesta: redefinir el objeto de la geografía como el espacio como un producto histórico. De ahí que el autor utiliza un concepto de espacio, entre otros, que también toma prestados de otros enfoques, como "un conjunto de formas representativas de las relaciones sociales del pasado y del presente ... manifiesta a través de procesos y funciones. El espacio está a continuación, verdadero campo de fuerzas cuya aceleración es desigual ".Para cumplir por completo la obligación autoimpuesta para definir el espacio como un objeto geográfico, Milton Santos plantea algunas preguntas sobre la esencia del espacio.


terça-feira, 28 de maio de 2013

Resumo do Ciclo da Borracha na Amazônia

Entre o final do século XIX e início do século XX, a borracha estava destinada a “transformar-se na matéria-prima de procura em mais rápida expansão no mercado mundial”, como cita o mestre Celso Furtado em sua obra Formação Econômica do Brasil. Para tanto, em particular diante da escassez de mão-de-obra que se apresentava, em concorrência direta com a ascensão da produção de café no Sudeste, deu-se um verdadeiro êxodo de população da Região Nordeste, em fuga do decadente modelo de exportação da cana-de-açúcar, para a Região Norte, conhecido como Transumância Amazônica.
Dada a opulência que tal torrente de recursos trouxe, este ciclo pode ser encarado como a base para a primeira tentativa efetiva de ocupação da região amazônica, agora calcada no capital da borracha. Cidades inteiras foram construídas (as company cities), atraídas pelo interesse da nascente indústria automobilística na borracha amazônica. Porém, o ciclo da borracha se revelou fugaz, em particular diante da avassaladora produção das colônias inglesas concorrentes na Ásia a partir da 1ª Guerra Mundial, e trouxe poucos resultados duradouros para a região, sendo que, dentre esses, podemos citar a expansão da fronteira informal até onde hoje é o Estado do Acre, fruto da busca de mais seringais para abastecer a demanda, e a afluência de recursos deixou baluartes como o imponente Teatro Amazonas, em Manaus.



Resumo do Conceito de Bem Público e de Externalidades


Existem bens, conhecidos como semi-públicos ou meritórios, que, embora sigam o princípio da exclusão, são freqüentemente, e cada vez mais, produzidos pelo Estado. Esse é o caso, por exemplo, da educação. Existem colégios privados onde, se o aluno não pagar, não tem acesso. Porém o governo mantém escolas públicas com vaga garantida por lei a toda criança. Também com base no conceito de externalidade é que o governo oferece escolas gratuitas para a população.
Tal acontece, pois o governo busca criar externalidades positivas, uma vez que uma pessoa bem educada trará benefícios para a sociedade como um todo. Também temos que atentar para o fato de a educação ser um direito de todos, garantido na constituição, e ao estimular o prover o ensino público o governo garante que a iniciativa privada não domine todo o setor, gerando uma externalidade negativa.
Um exemplo de bem público e explique por que ele se configura em uma falha de mercado: a iluminação pública. Ora, é impossível saber quanto cada um de nós gasta individualmente de iluminação, pois enquanto eu posso morar em um prédio e não sair de casa a não ser para trabalhar (pagando praticamente toda a iluminação de que preciso), muitas outras pessoas podem depender da iluminação nas praças, estradas e ruas. Por isso, não outra forma se não cobrar de todos o uso que beneficia, em última análise, a todos.


Resumo do Conceito de Método - Pesquisa

O conceito de método, para Japiassu & Marcondes (1990), é o conjunto de procedimentos racionais, baseados em regras, que visam atingir um objetivo determinado. 
Método “é o caminho pelo qual se chega a determinado resultado, ainda que esse caminho tenha sido fixado de antemão de modo refletido e deliberado” (Hegemberg). “É uma forma de selecionar técnicas, formas de avaliar alternativas para a ação científica. Método são regras de escolha, técnicas são as próprias escolhas” (Ackoff).
“É o conjunto de procedimentos lógicos e de técnicas operacionais que permitem ao cientista descobrir as relações causais constantes que existem entre os fenômenos”(Severino, 1992, p.121)
Para Bunge, o método comporta elementos doutrinários e ideológicos e reduz o método à indução e à dedução”.
Para a Filosofia, segundo Chauí, método “tem um sentido vago e um sentido preciso”. Também é “ciência universal de ordem e da medida, podendo ser analítico ou sintético”, considerando-o dedutivo e indutivo.

Assim tem-se três métodos, a saber: a) O Hipotético-Dedutivo, b) O Fenomenológico-Hermenêutico e c) O Dialético. O método hipotético-dedutivo é aquele “através do qual se constrói uma teoria", que formula hipóteses e, a partir destas hipóteses os resultados obtidos podem ser deduzidos. Com base neles se pode fazer previsões que, por sua vez, podem ser confirmadas ou refutadas. Essa questão surgiu na perspectiva cartesiana, buscando partir da valorização da experiência e indicando a substituição da função pela probabilidade, admitindo um novo método, o hipotético-dedutivo, em contraste com o método empírico-dedutivo do Positivismo Clássico.


Pequeno Resumo do Livro "Henrique V" de Shakespeare


Neste belo livro do grande Shakespeare se nota a evolução da personagem do Rei Henrique, que antes, na junventude, passara muito tempo com o boêmio Falstaff (Henrique IV, partes 1 e 2), mas agora ascende ao trono como um homem feito. O pano de fundo da peça é a Guerra dos Cem Anos (1337-1453) entre Inglaterra e França, rivais históricas.
O grande destaque vai para a postura do Rei Henrique V diante dos seus súditos, em particular os soldados, ao se colocar no mesmo nível que eles quando deseja incitá-los a lutar a seu lado, dizendo, textualmente: "Nós, um bando de irmãos!". Henrique V foi encenada pela primeira vez em 1599, mas ainda hoje, mais de quatrocentos anos depois, o texto lança luz sobre a natureza da guerra e da política, do discurso populista e da manipulação do povo. 
Rei da ironia, Shakespeare, mesmo nessa peça "séria", faz interessantes colocações sobre a vida em sociedade, como na fala do Rei diante de coisas feitas por alguém longe de casa, dizendo: "Coisa muito comum, que os homens sejam indecentes ao máximo quando se encontram longe de casa".
Também vale destacar a língua afiada do Bardo em criar um série de ditados, como por exemplo: "a amizade sempre adula", "cobra venenosa tem que se cuidar, para não morder a língua" e "o tolo dispara a sua flecha primeiro".


Pequeno Resumo do Livro "Macbeth" de Shakespeare


Neste clássico de Shakespeare o elemento principal é a ganância desenfreada. 
Macbeth recebe a profecia de três bruxas de que ele será rei, só para ver os filhos de Banquo sucedê-lo. Para ascender ao trono, bêbado, ele arquiteta o assassinato do rei Duncan, com a cumplicidade de Lady Macbeth. Mais tarde, durante a tentativa de assassinato Banquo, ambos acabam isolados e derrotados. Macbeth é um general do exército escocês muito apreciado por seu monarca, o rei Duncan, por sua lealdade e seus guerreiros serviços. Um dia, ele e Banquo, outro general, são abordados por três bruxas, que fazem as seguintes previsões: Macbeth será rei, Banquo é menos importante, mas mais poderoso do que Macbeth, e os filhos de Banquo serão reis. Macbeth não entende as palavras confusas das aparições, mas elas calam fundo. Ele relata o estranho encontro a sua esposa, Lady Macbeth - uma das vilãs mais perfeitas da literatura - que, ambiciosa, exerce seu poder sobre seu marido, levando-o a cometer o ato fatal de traição ao rei que desencadeia a tragédia. A importância da perfídia de Lady Macbeth, uma vez que Macbeth vacilou diante dos desafios, daí o "queres ser grande, e não te falta ambição, mas careces do mal que deve acompanhar esta ambição".


Resumo das origens da SPVEA e da SUDAM

   Após o período pós Constituição de 1946, em que pese alguns resultados como a criação do Instituto Agronômico do Norte, a região amazônica continuou a sofrer com o seu insulamento, levando a SPVEA, que nunca fora - é bom que se esclareça - dotada de autonomia financeira e administrativa, a malograr na sua missão. Porém, a construção do marco teórico-metodológico que permeou a SPVEA, que tem na definição de Amazônia Legal um exemplo até hoje utilizado[ Após algumas pequenas alterações posteriores, atualmente a Amazônia Legal está compreendida entre os estados do Acre, Amapá, Amazonas, Mato Grosso, Pará, Rondônia, Roraima, Tocantins e parte do Maranhão (oeste do meridiano de 44º) ], permitiu que, anos mais tarde, se criasse o suporte institucional que facilitaria o direcionamento dos investimentos na região.

   Mais tarde, nos anos 1960, passa-se pela interiorização da capital do Brasil, indo do Rio de Janeiro para Brasília (projeto que remontava à Proclamação da República), sem que a SPVEA tenha tido qualquer relevância apreciável. Inclusive, um dos projetos mais significativos dessa época para a Região Norte foi a construção da rodovia Belém-Brasília, tendo sido feita à revelia da SPVEA, apartada de uma política para a região, mas buscando, de fato, interligar a nova capital e dotá-la de centralidade.


   Não muito tempo depois, a partir de uma iniciativa do governo militar derivada da experiência da SPVEA, cria-se a Superintendência de Desenvolvimento da Amazônia (SUDAM), em 1966. Os objetivos centralizadores e nacionalistas do governo militar foram resgatar a ideia inicial de planejamento “a partir de cima”, no contexto da famosa “marcha para o oeste” da ocupação militar, mas o enorme aparato burocrático que foi criado, eivado de denúncias de corrupção ao longo de todo o seu funcionamento, acabou por resultar em sua extinção formal em 2001. 

segunda-feira, 27 de maio de 2013

Resumo do Livro "Geopolítica brasileira e relações internacionais nos anos 50" - Thiago Bonfada de Carvalho

Neste livro, originalmente apresentado em 2005 ao Instituto Rio Branco como requisito do Mestrado em Diplomacia, o autor apresenta as circunstâncias da geopolítica brasileira na década de 50 do século passado, com especial atenção ao pensamento do General Golbery do Couto e Silva.Para tal, o autor divide o livro em duas partes, cada uma delas contendo dois capítulos. A primeira parte é dedicada ao contexto sociopolítico do Brasil da época, estendendo-se a análise até a década de 60 com o início do regime militar, enquanto a segunda parte detém-se propriamente no estudo das ideias do General Golbery.
O primeiro capítulo trata dos acalorados debates que permearam os projetos desenvolvimentistas no Brasil no pós Segunda Guerra. A começar do governo Dutra, Carvalho discute os antagonismos entre as correntes de pensamento “entreguista” e “nacionalista”, mostrando a relevância do debate diante das imbricadas relações de poder que se apresentavam.A partir desse ponto, o autor distingue três correntes de pensamento, que inclui as duas já citadas e mais a Escola Superior de Guerra (ESG), pois, ainda segundo o autor, a “ESG foi a principal responsável pela atualização dos conceitos gerais de estratégia no Brasil”(p.70). Foi a ESG, destaque-se, que permitiu as militares conceber a gestão do Estado em conceito mais amplo.Dentro da ESG, desponta a importante figura do General Golbery, e o autor apresenta primeiro as concepções sobre geopolítica de Golbery para depois apresentar sua visão sobre as relações internacionais. Assim, Golbery é visto como um defensor de uma geopolítica de base nacional, em contraposição ao seu caráter global, moldada com uma visão de futuro.

Diante da bipolaridade predominante da Guerra Fria, a posição de Golbery nas relações internacionais é realista, com predomínio, portanto, da ação do Estado no contexto “anárquico” do sistema internacional. Como também aponta o geógrafo Demétrio Magnoli, o realismo lida com o potencial conflitivo das relações internacionais onde, na busca por uma melhor inserção nos circuitos geopolíticos, Golbery defende uma estratégia de aliança do Brasil com os EUA, resgatando tese do Barão do Rio Branco.
O livro tem o grande mérito de iluminar um período bastante controverso da historiografia brasileira sem se esquivar do debate. A opção do autor em debater o representativo, ainda que controverso, pensamento do General Golbery mostra o quanto, até hoje, os discursos se limitam à superfície, sem se preocupar mais detidamente com a práxis.

domingo, 26 de maio de 2013

Pequeno Resumo do Livro "Metamorfoses do Espaço Habitado" - Milton Santos

A ideia principal do livro é contextualizar a geografia ante o processo de universalização do mundo, ou seja, a universalização da produção, das trocas e do capital, que acabam por trazer a reboque a universalização da cultura, das ideologias e do espaço. Dessa forma, o espaço assume um papel preponderante em um sem número de questões para o capital, que passa a administrá-lo pela lógica da especialização, dentro de lógicas próprias e, muitas vezes, alheias às realidades locais. Santos inclusive faz a ressalva importante de que esses espaços são habitados por populações cada vez mais heterogêneas, o que aumenta a complexidade na análise de categorias como região ou território. A seguir, após haver discorrido sobre a paisagem e seus tipos básicos (natural e artificial), o autor mostra que os processos para a sua modificação podem ser de ordem estrutural ou funcional, a depender das formas-lugares diferentes que possa assumir. Por último, cabe destacar que a organização espacial deve se pautar em quatro fatores: a) a concentração geográfica das atividades, b) o controle externo, c) a evolução espontânea e d) o papel do poder público. Com isso em mente, uma análise geográfica conta com os fundamentos para uma abordagem mais próxima do real em toda a sua complexidade, ou como diz o autor, em sua totalidade
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